segunda-feira, janeiro 04, 2010

Solidão

Rua de São Paulo / Foto TL, 2008
Espreita a rua cinzenta através da vidraça
embaciada como o seu olhar
e apenas vê na gente que passa
o alheamento próprio do lugar
de exílio com que a vida
lhe quis marcar o fim da corrida.

Sofre de solidão e ninguém sabe
das noites que preenchem os seus dias
nem da dor que não lhe cabe
no peito e torna sombrias
as horas da sua lenta espera
de outra impossível primavera.

10 Comments:

Blogger José Carlos Vilhena Mesquita said...

Prezado Amigo e Poeta
Adorei ler este poema, que retrata de forma muito subtil mas não menos dolorosa a solidão na velhice, e a falta de novos horizontes para quem da vida já nada espera, senão o fim.
Parabéns, está magistral.
O poema não precisa de ser longo, nem hermético ou esotérico, ao ponto de não ter ritmo nem sonoridade. A rima dá-lhe graça e aprofunda o sentimento de pertença para quem o lê.
Você é verdadeiramente um poeta que merece o meu sincero aplauso. Pena é que não me sobre o tempo necessário para acompanhar o seu blog com a constância que merece.
Um abraço com votos de um ano de 2010 com muita saúde, e já agora na sedutora companhia das musas.
Vilhena Mesquita

5:32 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Caro Prof. Vilhena Mesquita,
Obrigado pelo visita e pelas generosas palavras.
Também lhe desejo um 2010 muito feliz, nesse nosso sempre presente Algarve.
Bem haja!

7:06 da tarde  
Blogger jrd said...

Belo e triste.
Quando a só solidão é a companhia possível, uma nova Primavera é impossível.
Um abraço

11:55 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Inspirado num caso real, que estou a seguir, caro JRD.
Outro abraço.

10:00 da manhã  
Blogger mdsol said...

:)

12:34 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

:)

2:17 da tarde  
Blogger jes said...

Caro Torquato

Todos os poemas merecem ficar recolhidos em livro. São tão heterogéneos quanto cativantes.
Um abraço

4:04 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Caro João,

O teu Jornal, de que sou leitor diário, está cada vez melhor.
Um forte abraço também.

4:58 da tarde  
Blogger CPrice said...

Tão a propósito da notícia que ouvi há dois dias e que me chocou profundamente Caro Poeta .. a morte de tantos idosos em Lisboa em apenas doze horas.

Morrer de solidão e abandono.
Que coisa tão miserável e que crime tão imputável às famílias que certamente existem ..

Beijinho

9:39 da manhã  
Blogger Torquato da Luz said...

Lamentável situação, cada vez mais frequente, Catarina.

Outro beijinho.

3:44 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home