Sábado, Julho 04, 2009
Quinta-feira, Julho 02, 2009
Destino
Telhados de Alfama / Foto TL, 2009Por mais que procuremos,
nunca descobriremos
o termo exacto para coisa alguma.
Tudo o que conseguimos
é soletrar rumores por entre os limos
de um oceano de espuma.
Se há destino (e não é certo
que o haja), o nosso é
ficarmos sempre aquém do que dizemos.
E nada mais nos resta que o deserto
onde buscar, sem grande fé,
o que nunca teremos.
nunca descobriremos
o termo exacto para coisa alguma.
Tudo o que conseguimos
é soletrar rumores por entre os limos
de um oceano de espuma.
Se há destino (e não é certo
que o haja), o nosso é
ficarmos sempre aquém do que dizemos.
E nada mais nos resta que o deserto
onde buscar, sem grande fé,
o que nunca teremos.
Segunda-feira, Junho 29, 2009
Ah se não fosse
Acrílico sobre tela / TL, 2008 Ah se não fosse o medo
e as negas da sorte
ah se não fosse sempre cedo
de mais para a morte
ah se não fosse o muro
a limitar o espaço
ah se não fosse o futuro
amanhecer tão baço
ah se não fosse a idade
e a tensão alta
ah se não fosse a liberdade
dar tanta falta
ah se não fosse o mundo
estás a ver
ah se não fosse tudo
e o mais que vier.
Quinta-feira, Junho 25, 2009
A casa na areia
No miradouro de Santa Luzia / Foto TL, 2009 Se construíste a casa sobre a areia
da praia, rente ao mar,
não estranhes que a maré cheia
cedo a venha derrubar.
É que toda a construção
para durar
tem de estar firme no chão.
Antes tivesses construído
um frágil ninho exposto ao vento
numa árvore vulgar.
Sempre daria mais sentido
a esse anseio de a qualquer momento
poderes voar.
da praia, rente ao mar,
não estranhes que a maré cheia
cedo a venha derrubar.
É que toda a construção
para durar
tem de estar firme no chão.
Antes tivesses construído
um frágil ninho exposto ao vento
numa árvore vulgar.
Sempre daria mais sentido
a esse anseio de a qualquer momento
poderes voar.
Segunda-feira, Junho 22, 2009
Verão
Algarve / Foto TL, 2008Abençoado Verão, mal via a hora
de chegares, rutilante e soalheiro,
e agora que te tenho, companheiro,
mais do que celebrar-te sem demora,
quero pedir que não te vás embora,
como acontece às vezes, sem primeiro
deixares trigo bastante no celeiro
e as uvas bem maduras, já agora.
Instala-te, portanto, Verão amigo,
pode ser num hotel à beira-mar,
e vem todos os dias ter comigo
para um passeio na praia ou velejar
a todo o pano, porque estar contigo
é o mais que ora quero desfrutar.
de chegares, rutilante e soalheiro,
e agora que te tenho, companheiro,
mais do que celebrar-te sem demora,
quero pedir que não te vás embora,
como acontece às vezes, sem primeiro
deixares trigo bastante no celeiro
e as uvas bem maduras, já agora.
Instala-te, portanto, Verão amigo,
pode ser num hotel à beira-mar,
e vem todos os dias ter comigo
para um passeio na praia ou velejar
a todo o pano, porque estar contigo
é o mais que ora quero desfrutar.
Sexta-feira, Junho 19, 2009
Presença
Barlavento / Foto TL, 2007Entra-me em casa o murmúrio do mar
e ao fim da tarde assoma na janela
uma gaivota que me vem deixar
a mensagem mais simples, mais singela,
que podia na vida desejar:
esta certeza de que estás comigo
mesmo quando te ausentas e eu invento
mil e uma formas de escutar no vento
o eco das palavras que te digo.
Quinta-feira, Junho 18, 2009
Terça-feira, Junho 16, 2009
Paixão
Acrílico sobre tela / TL, 2008A vida ou é paixão ou não interessa,
tudo o mais é somente imitação
e, por mais que dês voltas à cabeça,
não acharás outra razão
que dê sentido a esta caminhada
de aparente rumo ao nada.
Apenas a paixão sabe explicar
o que não tem qualquer explicação:
esta urgência de se dar
sem supor compensação.
tudo o mais é somente imitação
e, por mais que dês voltas à cabeça,
não acharás outra razão
que dê sentido a esta caminhada
de aparente rumo ao nada.
Apenas a paixão sabe explicar
o que não tem qualquer explicação:
esta urgência de se dar
sem supor compensação.
Quinta-feira, Junho 11, 2009
Para ser feliz
Senhora da Rocha / Foto TL, 2007Leva-me para onde os dias florescem
semeando maresia
e as noites se entretecem
de mistério e poesia.
Diz-me as palavras que tens no olhar
e nem precisas de me dizer
porque as sei adivinhar
mesmo sem querer.
Deixa-me desvendar o paraíso
no teu corpo. Algo me diz
que de nada mais preciso
para ser feliz.
semeando maresia
e as noites se entretecem
de mistério e poesia.
Diz-me as palavras que tens no olhar
e nem precisas de me dizer
porque as sei adivinhar
mesmo sem querer.
Deixa-me desvendar o paraíso
no teu corpo. Algo me diz
que de nada mais preciso
para ser feliz.
Segunda-feira, Junho 08, 2009
Carpe diem
Rua de S. Bento / Foto TL, 2009Cada momento é único. Não há
forma de repetir o já vivido.
Por isso mesmo faz todo o sentido
agarrar bem o que o instante dá.
O que passou passou e já não está.
Ninguém volta ao caminho percorrido
nem pode reviver o acontecido,
por mais que queira ou onde quer que vá.
Vive, portanto, o mais intensamente
que puderes cada hora e cada dia.
Não olhes para trás e segue em frente,
que o passado se esfuma, não se adia,
e o futuro, que vem sempre de repente,
de repente é saudade e nostalgia.
Quarta-feira, Junho 03, 2009
É preciso
Cow Parade Lisboa / Foto TL, 2006É preciso furar o nevoeiro
é preciso espreitar além do escuro
é preciso ser forte e ser inteiro
é preciso ter crença no futuro.
É preciso tentar chegar primeiro
é preciso ser livre e ser seguro
é preciso ver longe e ser certeiro
é preciso arriscar saltar o muro.
É preciso ser lúcido e sonhar
é preciso ter asas e voar.
Domingo, Maio 31, 2009
Terreiro do Paço*
Terreiro do Paço / Foto TL, 2009Porque sou desde há muito de Lisboa
(umas vezes Cesário, outras Pessoa)
e é com ela que à noite me deito,
não posso conformar-me nem aceito
que certa gente
se obstine em desfeá-la e, não contente,
se gabe disso, como se a cidade
fosse um capricho da sua vontade.
Lisboa, mais que pedra, é sentimento
e é emoção, mais que lugar.
Causa por que nos cumpre revoltar,
há-de ser sempre pouco o empenhamento
que pusermos em a preservar.
*Se ama Lisboa, não deixe de assinar (eu já o fiz) a petição
por debate sobre o Terreiro do Paço:
http://www.gopetition.com/online/28118.html
Quinta-feira, Maio 28, 2009
Quando Maio...
Rua Dom Pedro V / Foto TL, 2009Quando Maio se despede e as ruas de Lisboa
ainda se vestem de flores de jacarandá,
o ar exala um cheiro que já não há
em mais qualquer lugar e me atordoa.
É um aroma doce que embebeda
cedo pela manhã e não sossega
já noite dentro, até de madrugada.
Um odor que me parece querer dizer
que, enquanto ele durar, não tenho nada
que deva temer.




