terça-feira, janeiro 11, 2005

Retrato

Um poço de ternura.
Cisterna que decanta
o líquido pastoso da loucura
que de súbito em mim se eleva e canta.

Reserva frágil de emoções.
Um forno em que se coze
a sede insaciável que me impõe
que viva e ouse.

Floresta agora, logo após deserto.
Árida aresta de tudo o que me chama.
Não sabendo de nada, apenas certo
da certeza invencível de quem ama.

Cantil de raiva que destila medo,
gato de unhas e patas aguçadas,
rasgo o pano da noite e com um dedo
acuso as madrugadas.

("Lucro Lírico", 1973)

4 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Um belo retrato, num belo poema.

J. Paiva

8:37 da tarde  
Blogger António Baeta said...

Este teu ofício diário é um local de excelência.
Obrigado.

11:04 da manhã  
Blogger Torquato da Luz said...

Muito obrigado, Toy. O abraço de sempre.

11:59 da manhã  
Blogger Pink said...

Belíssimo retrato este! Rica a imagística, fluida e a gradável a leitura. Um beijo.

1:21 da manhã  

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