terça-feira, janeiro 25, 2005

A cidade

A cidade passeia no rosto de um homem,
põe o seu corpo nu a vestir-lhe a pele,
desenha-lhe um rio, mas os barcos não correm
na água que nasce do silêncio dele.

Um homem estrangula o frio da cidade,
o seu corpo a possui, o seu corpo incendeia.
Vai calado e só, numa fúria que há-de
espraiar-se apenas no oiro da areia.

Cidade de portas abertas ao medo,
um homem percorre o seu corpo e pergunta
como o tempo achou lugar para ter
tanto tempo muda tanta gente junta.

("Voz Suspensa", 1970)

1 Comments:

Blogger mariah said...

belíssimo.

parabéns.

abraço.

8:14 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home