quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Cilada cidade

Tejo com Lisboa ao fundo
Direi flor floresta planta
direi mar de quem comigo
sente prender-lhe a garganta
o nó daquilo que digo.
Direi jardim pátio poço
direi cisterna de quem
me estende o peito o pescoço
para que os diga também.
De ti direi
chaminé do navio do meu corpo
ave do mar que não sei
se pousada em qualquer porto
que jamais atingirei.
Direi secura se curo
da sede que sob a pele
me segue o sangue inseguro
quando me debruço dele.
Direi casa quadra canto
direi cilada cidade:
palavras feitas no espanto
da própria incomodidade.
("Lucro Lírico", 1973, rev.)

6 Comments:

Blogger Mel de Carvalho said...

Direi, se me permite, da beleza cristalina desta escrita.
Gratidão
Bem-haja
Mel

12:45 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Bem haja também, cara Mel!

2:09 da tarde  
Blogger jrd said...

Que bom cair numa cilada assim.

Abraço

6:30 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Outro, amigo João!

6:55 da tarde  
Blogger gabriela r martins said...

direi

( apenas )

SAUDADE

( muito belo )



.
um beijo

5:08 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Um beijo também e bom fim-de-semana, querida Gabriela!

9:13 da tarde  

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