quinta-feira, fevereiro 17, 2005

Voz suspensa

Porque tinha nos olhos primaveras
e louros nos cabelos o levaram
e, já preso na cela dos suplícios,
o mataram.

E porque sobre a boca tinha rosas
abriram-lhe a cabeça e procuraram
o segredo que tinha no seu rosto
mas não o encontraram.

E por ter sobre os dedos uma estrela
amarraram-no morto à sepultura,
mas, como a voz tem asas, ainda hoje
eles andam à procura.

("Voz Suspensa", 1970. Cantado por Luís Cília,
disco "Contra a ideia da violência, a violência da ideia",
editora "Le Chant du Monde", Paris)

3 Comments:

Blogger mariah said...

poema que compartilho.
Belo.
Forte.
Verdadeiro.



já "ganhei" o dia!

beijinho.

3:19 da tarde  
Blogger Pink said...

Lindo o poema. A voz, como a alma, tem asas ... Um beijo.

7:40 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Muito obrigado, minhas queridas! Beijos!

8:45 da tarde  

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