quinta-feira, abril 28, 2005

Incêndio

A cidade é um corpo desnudado,
que se entrega sem reservas.
Ao percorrê-lo, as minhas mãos incendeiam
as largas avenidas
que se formam de repente
para morrerem um quarteirão adiante.

Em cada casa uma fogueira tem o nome de um homem
e nas ruas florescem mulheres,
que dão fruto no esplendor da madrugada.

Crianças desenham o voo dos pássaros
entre árvores esguias
e luminosos pátios
onde hei-de inventar-me um dia.

(2005)

2 Comments:

Blogger António Baeta said...

E o poema incendeia a página que vem morrer aqui, a meus pés, qual archote, iluminando o dia.

11:53 da manhã  
Blogger Torquato da Luz said...

Só um poeta, como tu és, escreveria isso, Toy. Obrigado!

2:56 da tarde  

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