terça-feira, abril 19, 2005

O circo

De vez em quando havia circo na aldeia.
Os saltimbancos chegavam numa tarde qualquer
e sem aviso prévio armavam o trapézio
no largo ao lado da igreja.
Depois, percorriam as ruas com o bombo,
anunciando a festa.

Nós, os moços, ficávamos eufóricos
com aquela algazarra
e as roupas coloridas dos palhaços.

Nessas alturas, minha mãe contava sempre
a história da trapezista que um dia caíra lá de cima,
ficando, entre a vida e a morte,
ao cuidado da aldeia, que logo a adoptara
e a tratou como se fosse um dos seus.

De todos os circos que veria mais tarde,
jamais algum me deixou deslumbrado
como esses que, de vez em quando,
chegavam à minha aldeia.

(2005)

5 Comments:

Blogger António Baeta said...

E nós, pequeninos, acarretando as pequeninas cadeiras de atabua.

11:24 da manhã  
Blogger Torquato da Luz said...

Isso mesmo, Toy: atabua! Vê tu bem que nem me lembrava do termo, que não ouço há uns 400 anos (pelo menos...).
Aquele abraço!

2:57 da tarde  
Blogger hfm said...

Gostei de ler e gostei desses moços que me lembraram o ano em que fiz estágio em Faro.

6:26 da tarde  
Blogger folhasdemim said...

Gostei da tua poesia :)

12:24 da tarde  
Blogger andreia said...

gostei muito deste poema.

http://www.icicom.up.pt/blog/muitaletra/

8:55 da tarde  

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