segunda-feira, maio 02, 2005

In illo tempore

Não sei de alguém que tenha sido mais feliz
do que nós fomos, minha amiga.
Naqueles tempos de abundância,
os rios corriam fáceis para o mar
e cada esquina era uma fonte de água fresca.

A casa tinha longos corredores
e nos quartos as arcas rescendiam
a alecrim, ervas amargas e tomilho.
Tu dormias, serena e descuidada,
na manhã dos meus sonhos deslumbrados.

E o sol da tarde anunciava
a noite incendiada nos lençóis
que vestiam a nossa impaciência.

Não sei de tempos mais felizes, minha amiga.

(2005)

1 Comments:

Blogger JG said...

Lindíssimo. Parabéns.

4:21 da tarde  

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