segunda-feira, maio 16, 2005

Noite

Quando vier a noite sem manhã,
que me está desde sempre destinada
(e ela não tarda, ela não tarda),
ver-se-á que não foi vã
esta infrene caminhada.

Em cada Primavera,
darão flor as roseiras que plantei
com estas mãos, que já não serão nada.
E crescerá a hera,
que pouco a pouco deixei
nos muros entrelaçada.

E o mar, que longamente namorei
e sempre trouxe na carteira
entre tostões e cartões,
lembrará, certamente, que o amei,
preso da bebedeira
que me ateou as ilusões.

(2005)

1 Comments:

Blogger António Baeta said...

Os nossos reflexos e esta vontade de nos sentirmos reflectidos; não vá, finalmente, nada acontecer para além da noite.

12:27 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home