quarta-feira, novembro 02, 2005

Os queridos mortos

A minha mãe, o meu pai, a minha irmã,
as minhas tias e avós,
todos esses que amei e por quem fui amado
e um dia se evolaram
ante o meu pasmo e dor sem nome.

A senhora que, todas as manhãs,
passava à minha porta
e não tornei a ver, porque também partiu
para a terra do mistério indecifrável,
como soube meses depois.

E o amável vizinho com quem nunca troquei
mais do que um bom dia, boa tarde,
e deixei de encontrar no autocarro.

Os queridos mortos,
esses que têm garantida a eternidade
da minha memória.

(2005)

3 Comments:

Blogger Laura Lara said...

Nunca esquecemos e ainda bem. Eu gosto de os recordar e, por vezes, sinto-os bem pertos.
Um beijo

12:25 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Um beijo também, Laura, e obrigado!

3:36 da tarde  
Blogger JG said...

É da natureza humana: conforma-se mas nunca esquece quem amou. Um abraço e obrigado pelo belo poema

1:13 da tarde  

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