quarta-feira, fevereiro 22, 2006

O ano de 1978

Só guardarei deste ano os nomes próprios:
o Ruy Belo, o Nemésio, o Jorge de Sena.
O resto não me importa,
não entra no meu poema.

Só guardarei deste ano esses três nomes,
de uma luz impossível, cegadora.
O resto foi a fome,
o deserto, a penhora.

Só guardarei deste ano a farta herança
de futuro, que eles são.
A grande esperança
que me dão.

O resto é acidente,
o resto é nada,
minha pátria doente,
minha pátria adiada.

("Destino do Mar", 1991)

4 Comments:

Blogger maat said...

Já há muito que não passava por aqui.E como sempre me sinto na hatitação da Alma.

Beijinho,

maria azenha

10:50 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Um beijinho também, cara Maria Azenha.

9:46 da manhã  
Blogger Eva Luna said...

Torquato, estou um pouco triste por não deixar um beijinho no meu blog. Mas... estou certa que deixará muitos quando publicar um dos seus belos poemas. Estou esperando por um que se coadune com o espírito do meu quintal. O de hoje, como sempre, é belíssimo mas não é adequado.
Um beijo

6:34 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Outro beijo, Eva. Quanto ao poema "adequado", acho que vai ser um pouco difícil... Mas veremos, como diria o ceguinho.

7:02 da tarde  

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