quarta-feira, março 01, 2006

Muros

Um muro e outro muro,
só a palavra, alada, os esvoaça,
ave marinha que defronta o escuro
e deixa o dia onde passa.

Mas onde achá-la, em que praia
desvendar o mistério do seu corpo?
Onde encontrar quem saiba
das paisagens que há dentro do seu rosto?

A todos os silêncios é a bruma
da memória gelada que os procura:
restos de coisa nenhuma,
morrendo aos poucos de lonjura.

("Lucro Lírico", 1973)

2 Comments:

Blogger António Baeta said...

O inexorável esquecimento - o olvido.

3:13 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Pois é, Toy. Um abraço.

3:16 da tarde  

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