segunda-feira, abril 24, 2006

País

País estilhaçado, estraçalhado,
estiraçado entre o medo e a maresia,
país estalactite, estalagmite,
país de bruços que nos braços
carrega sombras e cansaços.

País dilacerado, lacerado,
encalacrado até aos gorgomilos,
país adiamento, aditamento,
país padrasto dos seus próprios filhos.

País que eu amo, que desamo
para logo a seguir amar de novo,
país que tem o nome por que chamo
aquilo que estremeço até ao osso.

(2006)

8 Comments:

Blogger António Baeta said...

Que grande força tem o teu poema!
Fizeste-me "estremec(er) até ao osso".

10:58 da manhã  
Blogger Laura Lara said...

Que linda maneira de dizeres o nosso país.
Como sempre, Torquato.
Beijinhos

11:23 da manhã  
Anonymous António P. Castro said...

Oportuníssimo, este poema. Muito bem visto, como sempre.

2:48 da tarde  
Blogger RAA said...

Que se há-de fazê-lo?...

2:28 da tarde  
Blogger Rosmaninho said...

País que eu amo e desamo e torno a amar...
Mas que é mau padrasto dos seus filhos é!

3:31 da tarde  
Blogger addiragram said...

GOSTEI A VALER! Parabéns!

10:46 da tarde  
Blogger RPM said...

li um poema seu e, procurando no google, achei o seu blogue...

li os poemas que o ecrã do meu computador consegue comportar....

li, gostei e usarei este espaço como pesquisa literária.

RPM

10:46 da tarde  
Blogger Susana Barbosa said...

Vim até aqui pelo Tomarpartido.
Excelentes poemas que aqui tem.
Aprecio muito poesia. Parabéns.
Voltarei

5:11 da tarde  

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