quinta-feira, maio 18, 2006

Espera







Quase trinta anos depois, ainda estou à tua espera
no átrio do hotel onde combinámos encontro,
ó visão esplendorosa como não tivera outra.
Estou certo de que hás-de vir
e, sem pedir desculpa pelo atraso,
contarás uma história qualquer sobre os transportes,
que nunca andam a horas, como é sabido.

Continuaremos então a conversa
que deixámos a meio no avião,
quando o acaso nos pôs lado a lado
por duas ou três horas,
que contigo não passaram de breves minutos.

Talvez chegues de noite ou pela madrugada,
não interessa o momento, haverá sempre
a imensa claridade azul do teu olhar.

E nada mais de mim há-de ficar
do que a lembrança de te ter amado.

(2006)

8 Comments:

Blogger RAA said...

Excelente!

11:37 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Um abraço, caro Ricardo, e obrigado.

9:34 da manhã  
Blogger António Baeta said...

Que turbilhar desesperado se movimenta na placidez de um calmo poema de amor.

11:11 da manhã  
Blogger Torquato da Luz said...

É a vida, como diria o outro... Bom fim de semana, Toy!

11:28 da manhã  
Blogger Helder Ribau said...

Revejo-me neste belissimo post...

gosteiiiiiiiiiii :)

1:11 da manhã  
Blogger Torquato da Luz said...

Também gostei do seu blog, Helder.

9:32 da manhã  
Blogger A.Teixeira said...

Em toda esta actividade de ler e escrever na blogosfera há qualquer coisa de frenesim, por muito que o faça com tranquilidade.

Vir aqui ao seu blogue e ler a sua poesia é assim como fazer uma pausa num cantinho mais fresco da blogosfera.

12:05 da manhã  
Blogger Torquato da Luz said...

Sou leitor diário do "Herdeiro de Aécio", caro A. Teixeira. Obrigado pelas suas palavras.

9:37 da manhã  

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