segunda-feira, junho 05, 2006

Sina












Acrílico sobre tela/Torquato da Luz, 2004

Podíamos ir, de baraço ao pescoço, até Madrid,
mas nem Espanha já nos quer, tem problemas que cheguem.
Resta-nos, portanto, andar por aí,
sem a esperança sequer de que outros nos peguem.

O rei Sebastião entrou pelo nevoeiro,
com os seus imberbes vinte e quatro anos,
e a Europa, que foi o derradeiro
porto dos nossos desenganos,
quer pontapear-nos o traseiro.

Terão valido a pena Ourique, o Bojador,
o Cabo das Tormentas?
Tudo, afinal, ficou aquém da dor,
entre nuvens cinzentas.

Nem Maio nem Abril (que bem me lembro!)
nos libertam da sina de Novembro.

(2006)

5 Comments:

Blogger Pink said...

Poema crítico muito bem concebido. A pintura deu o mote ou foi o inverso?

Um beijo

11:10 da tarde  
Blogger Cãocompulgas said...

Bem! Estou um pouco aturdida, há muito que não lia um poema tão incisivo sem perder, contudo, a estética.

Bjinho e lá vai mais um! Qualquer dia zanga-se....

2:05 da manhã  
Blogger Torquato da Luz said...

Pink:

A ordem dos factores é arbitrária, claro.
Um beijo também.

Fátima:

Era só o que faltava, eu zangar-me...
Outro bjinho.

11:16 da manhã  
Blogger Laura Lara said...

De como tudo pode ser dito com elegância.
Beijinhos

8:05 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Beijinhos também, Laura.

8:36 da manhã  

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