terça-feira, junho 14, 2005

Alma

Quero dar-te o essencial:
o som de uma guitarra ao fim da tarde,
o piano de Chopin tocando ao longe
e o odor a jacarandá na Praça das Flores.

Quero dar-te o pôr-do-sol da ria de Faro
e o verde, a perder de vista,
que escorre das muralhas do castelo de Silves.

Quero dar-te o límpido horizonte
de Armação de Pêra, onde aprendi a amar o mar,
e o branco-rosa das amendoeiras
de Alcantarilha, meu eterno recomeço.

Quero dar-te a minha alma.

(2005)

4 Comments:

Blogger manueladlramos said...

7:14 da manhã  
Blogger António Baeta said...

Eu aceito, irmão. Aceita também a minha, diversa certamente, mas que se habituou a matar sede na sede dessas memórias.

12:03 da tarde  
Blogger Pink said...

Lindo!! Que mais dizer de quem assim se quer entregar ofercendo a própria alma?! Um beijo

12:23 da manhã  
Anonymous addiragram said...

Atrevo-me:

"Foi de mansinho que chegaste,
como quem pede esculpa por aqui estar.
Vieste entre palavras de ternura e de amargura;
vieste com a luz que tudo banha,
procurando um recanto,
tateando um abrigo,
dando-me a cheirar as flores do bosque.

Sem saberes,acordaste então
o gigante adormecido,
e todo o meu recanto se abriu
para te acolher nesta minha morada" Addiragram

12:54 da tarde  

Enviar um comentário

<< Home