terça-feira, janeiro 10, 2006

Palavras

Por mais que a gente busque, não encontra
a palavra necessária.
Jamais uma palavra diz com precisão
o que se sente.
As palavras são peixes fugidios,
evitam sempre a rede que lançamos.

Quando eu digo amor,
não será só amor que quero dizer,
mas sobretudo a sede incontrolável
de te afagar,
de me afogar em ti.

Podemos percorrer os dicionários,
viajantes dos continentes todos,
que sempre há-de escapar-nos
o porto da palavra
que sem cessar perseguimos.

Quando eu digo manhã,
não será só manhã que quero dizer,
mas sobretudo a luminosa intensidade
do teu olhar
atravessando o meu olhar.

Não há palavras que saciem
a nossa fome de palavras.

(2006)

9 Comments:

Blogger addiragram said...

Lindíssimo! A Palavra como convergência de um leque infidável de emoções, a Palavra-poema.

8:29 da tarde  
Blogger Laura Lara said...

Mas aqui as palavras são as necessárias e nunca peixes fugidios. Lindo!
Beijinhos

8:50 da tarde  
Blogger Pink said...

Belo poema sobre as palavras e a sua insuficiência perante os sentimentos profundos, o amor ... Adorei mesmo esta poema, Torquato!

Um beijo

11:44 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Obrigado, Addiragram, Laura e Pink. Beijos.

4:17 da tarde  
Blogger Pinho Cardão said...

Caro Torquato:
Que coisa bem dita!...
A imaterialidade do conceito dificilmente cabe na materialidade da palavra.
Também eu, mas de forma muito mais prosaica, ando todos os dias à procura das palavras certas!...

11:26 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Aquele abraço, meu caro Pinho Cardão.

8:07 da manhã  
Blogger António Baeta said...

No entanto, Torquato, usa-las de uma tal forma que creio identificar sentimentos meus, bem próximos dos que nos descreves.

12:46 da tarde  
Blogger mariagomes said...

um poema com palavras,

e sem palavras
beijinho
maria

1:41 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Um abraço, António.
Um beijinho, Maria.

4:29 da tarde  

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