quarta-feira, junho 07, 2006

Fantasmas











Acrílico sobre tela/Torquato da Luz, 2003
Simples sombras de outras sombras,
eles tomaram de empréstimo
o corpo esquálido, os farrapos que vestem.
Caminham lentamente pelas ruas,
perdidos de si mesmos, de quem foram,
ou agitam os braços, apontando
um lugar de estacionamento,
na mira de moedas para a dose diária.

Vêem-se um pouco por toda a cidade,
entristecendo a paisagem
com o seu ar de quem fugiu de tudo,
inclusive da esperança.

Afastamos os olhos e tentamos
apagar essas sombras de outras sombras.
Mas, rumando a nenhures,
os fantasmas insistem em toldar-nos
a placidez dos dias.

(2006)

6 Comments:

Blogger RAA said...

Notável.Ainda ontem à noite tive uma assombração dessas -- e elas toldam-nos, realmente.Gostei muito, insisto.

6:22 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Um abraço e obrigado, Ricardo.

1:53 da tarde  
Blogger RPM said...

hoje apetece-me comentar!!!

BONITO!

Ao poema e à obra plástica...

abraço de amizade

RPM

PS: usarei para mandar aos meus amigos....Obrigado!

2:59 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Oxalá os seus amigos também gostem, Rui Pedro. Um abraço.

6:15 da tarde  
Blogger Cãocompulgas said...

Muito bonito e dolorosamente real.

Bjinho.

8:30 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Fátima:
O fim de tarde de ontem, na FNAC, foi muito bonito. Gostei de te conhecer passoalmente, gostei do que disseste e vou, certamente, gostar também do livro.
Continuaremos a encontrar-nos por aqui, no nosso comum ofício diário.
Bjinhos.

9:33 da tarde  

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