segunda-feira, novembro 17, 2008

Abandono















Armação de Pêra/Foto TL, 2007

Abandonei na praia o que juntara
com grande esforço ao longo da jornada
e fiz-me ao mar sem cuidar de mais nada
que não fosse a ideia fixa e ignara

de te encontrar algures, empresa rara
mas nem por isso menos ansiada,
numa ilha qualquer despovoada
a que a barca dos sonhos te levara.

Mas, afinal, apenas encontrei
por entre as ondas altas a memória
de um ou outro navio que se perdera

e já na imensa praia, a que voltei,
ninguém sabia mais contar a história
de quem tu foras e eu ainda era.

5 Comments:

Blogger Once said...

"ninguém mais sabia contar a história" .. vale-lhe a sua memória meu Caro Poeta .. e essa mestria com que nos brinda.

Abraço
Catarina

5:02 da tarde  
Blogger Fatyly said...

A linha ténua e enevoada entre o passado e o presente que por vezes nos povoa o pensamento.
Lindissimo.

Um beijo

6:34 da tarde  
Blogger Torquato da Luz said...

Muito obrigado, Catarina e Fatyly.
Beijinhos e abraços.

7:14 da tarde  
Blogger Susana Barbosa said...

... sem retorno. abandono. em tantos sentidos, sentido.

Abraço Torquato!

12:05 da manhã  
Blogger Torquato da Luz said...

Um abraço também, Susana!

9:39 da manhã  

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